Se você deseja conferir, a partir desta terça-feira, 24, no Museu da Língua Portuguesa, a exposição “Fernando Pessoa, plural como o universo”, prepare-se. A mostra fica em cartaz até o dia 30 de janeiro, com entrada Catraca Livre, aos sábados. Essa será a primeira vez que o Museu da Língua Portuguesa vai abrigar uma exposição sobre um autor português. A curadoria fica a cargo de Carlos Felipe Moisés e Richard Zenith.
“Nosso propósito básico é levar Fernando Pessoa à vida do cidadão que não o conhece, e que, portanto, encontrará uma linguagem acessível, e àqueles que já estão familiarizados com seus versos, que terão a chance de descobrir aspectos e conceitos novos”, afirma Moisés.
Ambiente
Com projeto assinado pelo cenógrafo Hélio Eichbauer, a exposição terá como identidade visual o Mar – de Sagres e todos os outros – e os diferentes tons de azul da água e do céu, remetendo à época dos descobrimentos e das grandes conquistas de Portugal, inspirada no livro “Mensagem”.
Leia a reportagem toda, com links para baixar livros de Fernando Pessoa, cliando aqui.
(Extraído da ENCICLOPÉDIA GALÁCTICA, volume LXVII, edição de 2102). AFROCIBERDELIA (de África + Cibernética + Psicodelismo) – s.f. – A arte de cartografar a Memória Prima genética (o que no século XX era chamado “o inconsciente coletivo”) através de estímulos eletroquímicos, automatismos verbais e intensa movimentação corporal ao som de música binária.
Praticada informalmente por tribos de jovens urbanos durante a segunda metade do século XX, somente a partir de 2030 foi oficialmente aceita como disciplina científica, juntamente com a telepatia, a pata física e a psicanálise.
Para a teoria afrociberdélica, a humanidade é um vírus benigno no software da natureza, e pode ser comparada a uma Árvore cujas raízes são os códigos do DNA humano (que tiveram origem na África), cujos galhos são as ramificações digitais-informáticas-eletrônicas (a Cibernética) e cujos frutos provocam estados alterados de consciência (o Psicodelismo).
No jargão das gangs e na gíria das ruas, o termo “afrociberdelia” é usado de modo mais informal:
a) Mistura criativa de elementos tribais e high-tech: “Pode-se dizer que o romance The Embedding, de Ian Watson, é um precursor de ficção-científica afrociberdélica”.
b) Zona, bagunça em alto-astral, bundalelê festivo: “A festa estava marcada pra começar as dez, mas só rolou afrociberdelia lá por volta das duas horas da manhã”.
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Para saber mais, assista ou
leia em várias graduações...
Dose leve: “Depois de descer até o “Sul Maravilha”, Chico Science & Nação Zumbi sonharam com travessias mais audaciosas. Os caranguejos com cérebro vislumbraram exportar o mangue beat de uma cosmopolita Recife para os ouvidos espantados do Velho Mundo”
reportagem de Luciano Marsiclia na revista Superinteressante
Dose mediana: “Baseada na tese "Chico Science & Nação Zumbi: um estudo sobre o hibridismo e as relações entre música popular, mídia e cultura", a reportagem reune músicos e estudiosos do assunto para contar a história do manguebeat a partir da trajetória de um dos maiores grupos de Recife.”
vídeo de Chris Almeida mostrando o hibridismo de nossa cultura, esse nosso jeito misturalista de ser. Disponível em http://vimeo.com/5700192
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Dose dupla: “Do caranguejo globalizado ao Maracatu Atômico, o Projeto Mangue buscou a universalização de nossas raízes...”
Nesse texto encontrei uma frase linda do Chico Science que queria ter colocado ela na minha dissertação. Fala da esperança, não aquela de “quem espera sempre alcança/ três vez salve a esperança”, que nos move, nos mostra possibilidades e então
A esperança é quando a dor presente nos faz tentar outra vez.
A possibilidade é o movimento do mundo, diz e-Boa...
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Sódiversão...
Baixe o CD Chico Science e Nação Zumbi – Afrociberdélia
Afrociberdelia é o segundo álbum estúdio da banda lançado em 1996.
Trecho final do programa Ensaio com Chico Science & Nação Zumbi, com depoimentos bem lindos dele, destaco dois nesse vídeo:
“Vamos tocar uma música que fala desta miscigenação, desta mistura, de que não importa onde você esteja, em que lugar você está do Brasil, mas o que você tem e o que você gosta , de juntar estas coisas e fazer a sua diversão e fazer disso o seu bem estar: etnia.”
Somos todos juntos uma miscigenação
E não podemos fugir da nossa etnia.
Todos juntos uma miscigenação
E não podemos fugir da nossa etnia.
Índios, brancos, negros e mestiços
Nada de errado em seus princípios.
O seu e o meu são iguais
Corre nas veias sem parar.
Costumes, é folclore, é tradição.
Capoeira que rasga o chão
Samba que sai da favela acabada
É hip hop na minha embolada.
É o povo na arte, é arte no povo
E não o povo na arte, de quem faz arte com o povo.
É o povo na arte, é arte no povo
E não o povo na arte, de quem faz arte com o povo.
OESTE. Queni N. S. L. (Rapper); apresentação de Boaventura de Sousa Santos. Rap global. HOLANDA, Heloísa Buarque de. (Org.). Rio de janeiro: Aeroplano, 2010.
www.aeroplanoeditora.com.br
do Blog Cultura NI http://culturani.blogspot.com/2010/08/silencio-do-universo.html
Em “Rap Global”, Boaventura assume a personalidade de um rapper português de nome Queni, que faz música da sua frustração e indignação com a situação mundial. Durante maior parte do tempo, Boaventura de Sousa Santos se compara a Queni, fazendo dele um tipo de alter-ego: “Enquanto eu tenho que estudar para dizer o que penso, Queni vive”, analisa. Essa vivência, segundo o autor, traz um conhecimento fora do teórico. Enquanto os ditos ‘teóricos da retaguarda’ rebatem as perguntas fortes de nosso tempo com respostas fracas.
“Compreensão do mundo é muito mais ampla que a compreensão ocidental do mundo”, afirma Boaventura. E explica que nada tem a ver com radicalismo: isso é possível enxergar pelos olhos de Queni. Porque existe alguma coisa ao invés de nada. “O personagem aprendeu com Saramago que Deus é o silêncio do universo”, satiriza o autor.
Veja a entrevista de Boaventura contando sobre seu novo livro e ouça um trecho do Rap Global musicado
Site sobre Fernando Pessoa, com direito a biografias, fotos e poemas. http://www.pessoa.art.br/?p=446 Nele descubro que Tabacaria teve quase o título de Marcha da Derrota.
Vá até o site do you tube (www.youtube.com.br) e coloque na guia de pesquisa . Aparecem vários links e você poderá ouvir Tabacaria com sotaque português, uma delícia, como este http://www.youtube.com/watch?v=T_RqaYR-SN0&feature=related.
ou este gravado ao vivo por Manuel Villaverde Cabral
Reencontrei Tabacaria no Museu da Língua Portuguesa. Sempre um bom passeio pela cidade, São Paulo, e pelas palavras.
Biografia na Wikipédia - (http://pt.wikipedia.org/wiki/Helena_Kolody)
Seus pais foram imigrantes ucranianos que se conheceram no Brasil. Helena passou parte da infância na cidade de Rio Negro, onde fez o curso primário. Estudou piano, pintura e, aos doze anos, fez seus primeiros versos.
Seu primeiro poema publicado foi A Lágrima, aos 16 anos de idade, e, aos 20 anos, Helena iniciou a carreira de professora do Ensino Médio e inspetora de escola pública. Lecionou no Instituto de Educação de Curitiba por 23 anos. Helena Kolody, segundo o que consta em seu livro Viagem no Espelho, foi professora da Escola de Professores da cidade de Jacarezinho, onde lecionou por vários anos.
Pioneira dos Haikai
Em 1941 Helena Kolody, com 29 anos de idade, publicava seu primeiro livro, Paisagem Interior, com 45 poemas. Entre os quais três eram haicais e, no meio destes, o mais popular da autora:
Arco-íris
Arco-íris no céu.
Está sorrindo o menino
Que há pouco chorou.
Prisão
Puseste a gaiola
Suspensa dum ramo em flor,
Num dia de sol.
Felicidade
Os olhos do amado
Esqueceram-se nos teus,
Perdidos em sonho.
Era a primeira vez que uma mulher publicava haicais no Brasil.
Leia mais no site CAQUI sobre os haikai e a poesia de Helena http://www.kakinet.com/caqui/kolody.php
e é daí também que retiro as palavras do Leminski sobre ela:
"Nossa padroeira é o poeta mais moderno de Curitiba, de uma modernidade enorme, uma modernidade de quase oitenta anos. Nenhum de nós tem modernidade desse tamanho". E termina: "Tem certas manhãs azuis em Curitiba, mas tão azuis, tão azuis, que eu tenho certeza: Helena Kolódy acordou cedo e olha por todos nós".
letra completa e audio direto do site do Gil - http://www.gilbertogil.com.br/sec_musica.php?filtro=l
Vou fazer a louvação - louvação, louvação
Do que deve ser louvado - ser louvado, ser louvado
Meu povo, preste atenção - atenção, atenção
Repare se estou errado
Louvando o que bem merece
Deixo o que é ruim de lado
E louvo, pra começar
Da vida o que é bem maior
Louvo a esperança da gente
Na vida, pra ser melhor
Quem espera sempre alcança
Três vezes salve a esperança!
Louvo quem espera sabendo
Que pra melhor esperar
Procede bem quem não pára
De sempre mais trabalhar
Que só espera sentado
Quem se acha conformado
Vou fazendo a louvação - louvação, louvação
Do que deve ser louvado - ser louvado, ser louvado
Quem 'tiver me escutando - atenção, atenção
Que me escute com cuidado
Louvando o que bem merece
Deixo o que é ruim de lado
Louvo agora e louvo sempre
O que grande sempre é
Louvo a força do homem
E a beleza da mulher
Louvo a paz pra haver na terra
Louvo o amor que espanta a guerra
Louvo a amizade do amigo
Que comigo há de morrer
Louvo a vida merecida
De quem morre pra viver
Louvo a luta repetida
Da vida pra não morrer
Vou fazendo a louvação - louvação, louvação
Do que deve ser louvado - ser louvado, ser louvado
De todos peço atenção - atenção, atenção
Falo de peito lavado
Louvando o que bem merece
Deixo o que é ruim de lado
Louvo a casa onde se mora
De junto da companheira
Louvo o jardim que se planta
Pra ver crescer a roseira
Louvo a canção que se canta
Pra chamar a primavera
Louvo quem canta e não canta
Porque não sabe cantar
Mas que cantará na certa
Quando enfim se apresentar
O dia certo e preciso
De toda a gente cantar
E assim fiz a louvação - louvação, louvação
Do que vi pra ser louvado - ser louvado, ser louvado
Se me ouviram com atenção - atenção, atenção
Saberão se estive errado
Louvando o que bem merece
Deixando o ruim de lado
Se oriente, rapaz
Pela constelação do Cruzeiro do Sul
Se oriente, rapaz
Pela constatação de que a aranha
Vive do que tece
Vê se não se esquece
Pela simples razão de que tudo merece
Consideração
Considere, rapaz
A possibilidade de ir pro Japão
Num cargueiro do Lloyd lavando o porão
Pela curiosidade de ver
Onde o sol se esconde
Vê se compreende
Pela simples razão de que tudo depende
De determinação
Determine, rapaz
Onde vai ser seu curso de pós-graduação
Se oriente, rapaz
Pela rotação da Terra em torno do Sol
Sorridente, rapaz
Pela continuidade do sonho de Adão
"Ao trabalhar de forma integrada o som, a visualidade e o sentido das palavras, a poesia concreta propõe novos modos de fazer poesia, visando a uma ‘arte geral da palavra’. A expressão joyceana verbivocovisual sintetiza essa proposta que, desde os anos 1950, foi colocada em prática pelos poetas Augusto de Campos, Décio Pignatari, Haroldo de Campos, José Lino Grünewald e Ronaldo Azeredo, desdobrando-se até hoje, ao longo de mais de cinco décadas de produção em suportes e meios técnicos diversos – livro, revista, jornal, cartaz, objeto, lp, cd, videotexto, holografia, vídeo, internet."