Alma não tem cor
Por que eu sou branco?
Alma não tem cor
Por que eu sou negro?
Branquinho
Neguinho
Branco negão
Percebam que a alma não tem cor
Ela é colorida
Ela é multicolor
Azul amarelo
Verde verdinho marrom
A rotatividade do Grupo de Terça do GEPEC é grande e as identidades e memórias de cada ano são transmitidas pela permanência maior de alguns, a volta de outros filhos pródigos e a permanência de muitos na lista de discussão do grupo, como bem definiu Marcemino Bernardo na ata da reunião do grupo de 15 de abril de 2008:
O Grupo de Terça me parece, às vezes, como aquelas sombras à beira de uma longa estrada ensolarada e empoeirada, por onde a gente anda... anda, e então pára e descansa. Ao abrigo do sol, os viajantes conversam. Sempre tem gente nova chegando, ficando, indo, voltando.
Em 2005 e 2006 trabalhamos bastante o tema Raça, sob a coordenação do professor Guilherme Prado, quase como uma compulsão, sem controle;
combinávamos mudar de assunto num encontro, considerando já esgotado o que mal se iniciava, mas, no encontro seguinte, dúvidas, “causos” e reflexões nos traziam para junto dele;
desnaturalizado no altar do Brasil sem racismo, ele se mostrou próximo, parte do nosso ensinar, corisco transversal de gestos e palavras.
No III FALA outra Escola , vários textos individuais foram apresentados como fruto dessa discussão.
O meu texto individual foi o Zumbi, saia justa e jogos de palavras: construindo reflexões no Grupo de Terça. Mas, instigados pela Corinta, fizemos também um texto coletivo, costurado a muitas mãos e apresentamos no FALA: Ciranda de Textos
Enviei a última versão que tinha dele para a lista do Grupo de Terça e pedi para os autores fazerem uma revisão de suas palavras, se julgassem necessária, e avisando que pretendia incluí-lo nesta dissertação.
O texto que segue está constituído de três partes: Introduzindo, escrita por Ana Maria Campos, Ciranda colorida e Finalizando, texto feito por mim a partir da seleção e organizado de ressonâncias da apresentação no FALA enviadas para a lista do grupo.
O texto Ciranda colorida foi feito a partir de textos escritos e orais de pessoas do grupo registrados em atas ou enviadas para a lista. Originalmente, cada cor de letra é a representação de um dos autores, formando uma colcha de Filé, bordado típico do nordeste brasileiro.
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