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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Humberto Barbosa Mendes, Humberto de Maracanã

 
Humberto de Maracanã
Eu, Humberto e Deisy no São João de 2007


“Palmeiras balançam no Maracanã. O maracá de prata do Guriatã comanda o Batalhão de Ouro. No encalço do boi, a comunidade pulsa no sotaque da matraca. “


Quando vou pro Maranhão vou para assistir ao Boi de Maracanã.
Claro que vejo todas as brincadeiras e tento assistir a maior parte da festa, mas aos poucos fui afunilando o que gosto e não só a brincadeira, mas as pessoas que estão nela, passam a fazer parte da viagem ao Maranhão e sua encantaria, de uma viagem maior.



Boi de 2009, lindo, lindo!


“Maracanã é bairro da zona rural de São Luís que mantém viva (e crescente) a tradição do bumba-meu-boi de matraca – ou sotaque da ilha.”

O que me apaixonou no Maracanã foi que eles fazem o auto do Boi todo ano, coisa que está ficando cada vez mais rara. Adoro assistir ao batizado do Boi onde algumas pessoas da comunidade cantam longas ladainhas em latim.





Humberto no batizado do Boi de 2009


Outra paixão é o Guriatã, o cantador do Maracanã...

“Nascido em 1939, Humberto Barbosa Mendes tem o hábito do boi desde menino. Figura emblemática, iniciou-se como compositor e intérprete de toadas aos 12 anos de idade. Aos 34, tornou-se Cantador Humberto do Maracanã. Hoje é reconhecido pelo Ministério da Cultura como Mestre em Cultura Popular e um dos maiores divulgadores da tradição musical maranhense. “




(LEIA  MAIS em  http://www.culturabrasil.com.br/programas/veredas/arquivo-15/vida-de-cantador-humberto-do-maracana-3)



Vídeo da hora de Humberto, visitando com amigos nos lençois Maranhenses, cantando pra lua  e refletindo sobre a beleza do lugar.




Ê lua
Este touro é teu também
importante ilumina ele,
pra não perder pra ninguém.

Ilumina as matas virgens
E as águas verdes do mar
Meu amor também clareia, lua cheia
e da força no meu maracá.

“Isto aqui é que é o meu Brasil, você me despertou uma coisa linda, viu?
qual é o teu Brasil? isto eu vou ter que repetir e muitas coisas: isto aqui é o meu  Brasil [...]  Bumba-boi é o meu Brasil”

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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Boi Bumba, Waldemar Henrique

Boi Bumbá Waldemar Henrique

A ilha dos lençois


Sebastianismo e a Praia dos Lençois:

BARROS, ANTONIO EVALDO ALMEIDA, O PANTHEON ENCANTADO: Culturas e Heranças Étnicas na Formação de Identidade Maranhense (1937-65). Disponível em  http://www.posafro.ufba.br/_ARQ/dissertacao_antonio_barros.pdf


Resuminho: A presente pesquisa analisa processos de modelação, adaptação e transformação de identidade maranhense entre 1937 e 1965. De Atenas brasileira à terra do Bomba-boi...
“Anunciados pejorativamente como heranças de África e dos povos nativos, tambores de mina e pajelanças são perseguidos. O bumba-meu-boi é proibido de ser realizado ou de ir ao centro das cidades por que seria barafunda de pretos e da dita semibárbara caboclada. Nota-se também que há um interesse crescente, sobretudo a partir do Estado Novo (1937-45), de membros das elites intelectuais e políticas pela cultura popular, e por uma tentativa de integração, de caráter simbólico, do negro maranhense na história da região.”

Pág 86/87:
O encantamento de Dom Sebastião na praia dos Lençois, “ é visto como a mais bela lenda do Estado *:
Segundo “a gente do mar”, nas noites de São João, um touro negro surge de detrás das dunas alvíssimas soltando torvos rugidos. “É o príncipe D.Sebastião encantado pelo sortilégio estranho dos moiros de Alcacer-Quibir”. Se houvesse um homem “cujos nervos resistissem ao horror da assombração e ferisse a testa do touro negro, quando jorrasse o sangue, o Príncipe se desencantaria e, do fundo (Capa da Revista AThenas, estudada pelo autor, de fevereiro de 1942, mostrando o “Encantamento da Praia dos Lençóis)
do mar, surgiriam todos os seus gentis homens e açafatas”.
Os pescadores “juram ter ouvido, nas noites solitárias em que estão entregues à sua faina, os “melancólicos cantares” da corte de Dom Sebastião. Como não aparece aquele homem, “Sebastião continua no seu eterno encantamento... Assim é a lenda”.

na página 222 encontramos o rei já visto como um encantado dos mais poderosose a presença de outros europeus nos terreiros do Maranhão:

“ Note-se a presença dos encantados Coré, Sebastião e Oliveira. Todos nobres, respectivamente, um barão, um rei e um príncipe. O Rei Sebastião, particularmente, na época já era tido como uma espécie de chefe de todos os encantados, era o “Rei, Dono do Mar e da Terra” (PGB, 12/12/1950, p. 4), “guerreiro militar” e “pai do terreiro”, como se cantava no terreiro de mina de Maximiniana em 1938 (ALVARENGA, 1943, p. 57). Esses nobres e outros encantados eram reputados como os responsáveis por diversas curas na terra de Gonçalves Dias. Muitos não ousavam duvidar de seus poderes e creditavam a ação dos curadores, através dos quais as curas eram feitas.
Rei Sebastião encantou o Maranhão, tanto a terra da pajelança e da mina quanto o torrão gonçalvino. Em 1958, Alves (1958b) lembrava que El-Rei Sebastião era um personagem central da terra maranhense. Ele contava a crença de que todos os anos, no mês de junho, passava pela praia do Olho d’Água um barco iluminado de todas as cores do arcoíris,levando para a encantada praia dos Lençóis o Rei Sebastião, sumido há muito tempo em terras de África, para uma visita ao seu povo do Maranhão. O rei desembarcava na noite da segunda sexta-feira do mês de junho, aproveitando que a praia estava embandeirada para as festas dos santos juninos e seu povo ocupado demais com as fogueiras e a cachaça. Ver o barco era mais fácil do que olhar o próprio rei. (ALVES, 1958b, p. 3)”

 

Maranhão, meu tesouro meu torrão

Maracanã, meu tesouro, meu torrão

Humberto Maracanã e Barca

Boi de Maracanã